Chovia e os paralelepípedos da ladeira escorregavam um
pouco. O par de sapatos brancos e vermelhos subia animadamente, nada tiraria o
vigor de uma caminhada pra alegria. Porque a felicidade era algo a ser
perseguido, lutado e conquistado, ele sabia. Uma chuva não atrapalharia. O
calor da fumaça do cigarro esquentava o corpo e a cachaça queimava a garganta,
com isso, já tinha o fogo que precisava.
Não temia nada e nem ninguém, e eis o reflexo de seu sentimento humano:
um tantinho de arrogância. Encontraria todos lá em cima e quem sabe encontraria
também Teresa. Linda, sexy e perigosa. Todas as vezes que conversavam Teresa o
tratava mal e em todas às vezes ele ria, até perceber que estava completamente
apaixonado. Dessas paixões momentâneas que ele tanto prezava e que fazia a vida
ficar interessante. A cachaça ajudava-o a dar o molejo seguro que precisava.
Sóbrio ficava mau humorado e inseguro, a cachaça dava cores a uma cidade cinza,
não de clima, mas de cores nos prédios, pistas, bares e etc. Tinha posto na
cabeça que a teria, “Teria Teresa” nem que tivesse que ter Teresa só o
maltratando. Depois dos insultos vinha o tal sorriso de canto de boca que só
dava mais energia a investida. Era um jogo, um jogo agressivo e suave, não
muito ríspido e nem frio, só pra dar graça. O jogo o excitava. Já tinha visto a
aliança na mão esquerda dela, se perguntou se seria só um anel, mas isso não o
impediria. Aliás, a aliança fazia também parte do jogo, da dança das saias e dos
sapatos coloridos. Ao chegar, pediu pra que dançasse com ele, ela não quis
(ficou evidente), mas aceitou por educação. Ele colocou a mão na cintura fina
de Teresa e a apertou contra o corpo. Ela usava um vestido vermelho e ele imediatamente
pensou que era sua cor predileta, depois do masculino azul e verde. Ele usava
branco, achava mais adequado a ele, se sentia bonito e “caro”, tipo “gente
fina”. Dançou a madrugada toda,
rodopiou, girou e viu o sol raiar. Teresa já não parecia tão segura quanto
antes, ele sabia, nessa noite a conquistou de fato. Nessa hora ele percebeu que
precisava ir, sair antes que ela o desejasse mais, saiu correndo sem olhar pra
trás. O olhar de procura de Teresa iria dar com a falta, e assim, ela seria
sua. A próxima dança, o próximo soar do sino, a próxima lua e o seu futuro
encontro.
domingo, 8 de novembro de 2015
Assinar:
Comentários (Atom)
Seguidores
Arquivo do blog
Quem sou eu
- Karen Dias Jones
- Psicóloga que de vez em quando é contadora de histórias. Vocalista de heavy metal aposentada. Casada com a leitura (casamento em crise no momento) e amante (imperfeita) da escrita.
