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Para ler ouvindo : https://www.youtube.com/watch?v=Ud4HuAzHEUc
Three Days Grace - Pain
2014
Um dia acordou com o pescoço doendo. Torcicolo.
Passou o dia sentindo a dor que não melhorava, tomou
analgésico e nada.
No dia seguinte acordou não só com a dor, mas também com o
pescoço tenso. Quanto mais doía, mais tenso ficava e a tensão provocava
novamente dor.
Dor. Dor sem cura, dor sem remédio. Provavelmente era o
travesseiro, pensava.
Um mês se passou e a dor a acompanhava. Estava sempre lá,
constantemente.
Aos poucos a dor foi ganhando um espaço que não tinha. A
menina já não saía mais, não dormia bem, não sorria. Essa dor se tornou parte
do seu dia a dia. Procurou médicos que receitavam remédios mais fortes, mas
isso só a fazia dormir e acordar com mais dor.
Um círculo, um ciclo, um cíclico.
A dor constante virou um presente/ausente. Presente porque
estava lá, ausente porque moldou o dia e transformou a jornada, se tornando não
um problema, mas parte da vida. A dor ganhou espaço.
Acordou, após meses de dor, resolvida a dar um fim a isso. Já
não lembrava como a dor se iniciou, mas movida por um instinto de sobrevivência
seguiu em frente.
Andou muito, muito, muito. Encontrou na subida de um morro
uma senhora idosa, sábia e de voz doce e mansa. Iniciou uma conversa preguiçosa
sobre sua dor. Apresentou sua queixa.
A velha sábia sorriu e disse: Querida, pare de olhar pra
trás.

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